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Resposta Sexual Feminina





Quando o assunto é resposta sexual humana é necessário citar o famoso casal William Marters e Virginia Johnson, pioneiros em pesquisar sobre o assunto, na década de 60. O ciclo da resposta sexual humana foi descrito em quatro fases:

1) Excitamento: incremento da função sexual mediante um fator estimulante
2) Platô: quando o nível de tensão sexual atinge o nível extremo
3) Orgasmo: poucos segundos de vasoconstrição e miotomia
4) Resolução: retorno a fase não estimulada. 

O diagrama abaixo ilustra os padrões mais frequentes da resposta sexual feminina, contudo já se entendia que eram infinitas as possibilidades dada a enorme variação da intensidade  e duração da resposta.



MARTERS W., JOHNSON V. A Resposta Sexual Humana: 1 ed. São Paulo: Livraria Roca Ltda, 1984.
Ciclo da Resposta Sexual Feminina
Fonte: Marters e Johson, 1984


Na década de 70 Helen Kaplan acrescentou o desejo como sendo uma fase preditiva do ciclo da resposta sexual. Portanto, o desejo deveria estar presente no início do processo, antecedendo a excitação. Isto fez com que na década de 80 surgisse a disfunção sexual "desejo sexual hipoativo" (frigidez). 

Então, em 2004, Rosemary Basson propõe um modelo de resposta sexual de trajetória circular e despreza a necessidade do desejo consciente para se dar início ao ciclo da resposta sexual. Portanto a primeira fase seria marcada pela receptividade, ou seja, motivação, não necessariamente sexual, podendo não haver desejo. A segunda fase estaria marcada pela identificação da excitação sexual potencial, ou seja uma excitação subjetiva acompanhada de resposta física desencadeando a responsividade biológica. Isto poderia desencadear a consciência de desejo sexual (o desejo que Kaplan entendia ser necessário para iniciar a relação sexual), só aqui, na terceira fase. A quarta fase é o aumento na intensidade da excitação e do desejo responsivo (o que Martes e Johnson chamaram de platô), podendo ou não ocorrer o orgasmo. A quinta fase é caracterizada pela satisfação física e emocional, o que aumenta a receptividade para iniciar a atividade sexual na próxima vez. 

Após esse breve histórico quero deixar algumas colocações para vocês:

  • a relação sexual não precisa começar com desejo, mas pode;
  • começar por outra razão que não o desejo, por exemplo, buscando intimidade emocional, não necessariamente implica em disfunção sexual (desordem do desejo);
  • não atingir o orgasmo não precisa ser um problema, logo não precisa ser disfunção sexual, mas não alcançar satisfação física e emocional sim.
  • a resposta sexual não segue um padrão engessado, isso até os pioneiros no assunto já conseguiram identificar. Ou seja, a duração e intensidade de cada fase é variável ainda que falemos do mesmo casal - cada dia é um dia.
  • vários fatores influenciam na resposta sexual, como: problemas de saúde, problemas conjugais, problemas financeiros, medicamentos, problemas no trabalho, problemas com os filhos.
  • Se chegou a conclusão que tem uma disfunção sexual, pois não consegue sentir-se satisfeita física e emocionalmente, tente conversar com sua parceria. Problemas sexuais são sempre do casal.
  • Existem profissionais da saúde capacitados para ajudar você a resolver seu problema, inclusive, nós, fisioterapeutas especialistas em fisioterapia pélvica.
  • O fisioterapia atua restabelecendo a função sexual atuando nas alterações funcionais que identificamos por meio de uma avaliação criteriosa. Mas este é um tema para o próximo texto.
  • Por último, não se conforme com uma vida sexual ruim, você merece ser feliz!



Abraços, 

Thais Cristine



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